3 de jul. de 2013

Castelar

ai ai...

Se outra chance tivesse, mudava o chão onde ela pisa, terra batida com um novo alicerce, ensinava a pintar tela, pegar manga no pé, mergulhar sem roupa no mar, lavar o cabelo com água de côco, celebrar o nascer, o pôr do sol e as luas... Trançar seus amuletos e virar de costas pro avesso, assar peixe na fogueira não ter receio da morte, não pensar em besteira.

Feliz seriam seus dias, com erva, vinho e especiarias, tomate da horta todo dia, colo, dengo e alegria... nas festas seria rainha, nos dias comuns princesa, rede armada na natureza, conforto sossego e bem estar! Tendo certeza que o castelo de quem deseja é uma linda fortaleza!

"Quando o simples for mais importante e o sentimento a única coisa grande".

Paulo.Forv

29 de mai. de 2013

intranquilidade

Depois de um dois, 3, várias idéias a faziam rir (para não chorar) de madrugada, a priori uma observação lógica, porém banal. Os quadradinhos estavam aumentando... eles obedeciam a uma sequência... e várias vezes tentou permuta-los, atualizando-os.
[isso e o ócio...]
Feito ferrugem comia minhas articulações e o pão era mais difícil de digerir, a falta da massa e a barriga cheia de metano, parecia um botijão de gás pronto para explodir (raiva e cansaço), queria dormir, mas o colchão afundava e a fronha sufocava, acordara em sonhos intranquilos.

A inércia atrofiava seus músculos e já não haviam muitos movimentos para fazer, a janela não fazia o ar circular e o ventilador não ventilava, a maioria das coisas já não faziam sentido.

Não adianta correr contra o tempo
o mundo entende nossas intenções e conspira acerca de nossas vontades, sendo elas positivas ou não , são essas determinantes no bucolismo dos devaneios acordados...

2ª pessoa do singular do Imperativo Negativo do verbo idiotar: não idiotes tu.Ela voltara a sonhar...
Paulo.Forv

Solitude


Buscando pelo conhecimento (é amor) ...se você desequilibra, cai, e o conhecimento não é nem absorvido, nem passado adiante, ou seja, sem compartilhar, não há conhecimento, nem amor. Quem conhece suspeita que sabe, assim como amar a sós é achar que ama. Não goste mais do objeto de estudo, do que do desejo de estudar, é radicalismo e desequilibra, logo, no amor não se pode gostar mais da pessoa do que do sentimento, senão vira posse, amor a posse, amor a coisa, que geralmente só existe em sua própria cabeça e gera solidão.

Solidão, há também, junto as companhias, solitude é só.
ame o outro e não a "coisa outro", o sentir e não o ter,
assim...

Descoisificando o amor, serás da cabeça aos pés, amado.

Paulo.Forv

17 de mai. de 2013

era

Um conto de fadas: A princesa, o príncipe, o dragão e o castelo.

A coisa mais linda que se pode sentir e desejar de uma pessoa, foi a regra da... e ela foi. Como se fossem eternos os beijos, as dedicações, os sonhos, tudo era dividido meio a meio, até que o dragão raptou a princesa para o interior do castelo. nessa, o final ainda não é feliz.

O príncipe se deu por vencido, as chagas consumiam todo o seu corpo, a dor do amor comeu as letras do seu sobrenome, transformou-se em outro "eu" noutro sobrenome, fugiu com todo resto de força que tinha para o interior do interior e aprendeu na pisa a gostar de tudo que era contrário ao caminho do castelo, e assim desistiu de salvar a princesa.

Da ética a estética mudou propositalmente, era necessário colocar a dor num tronco e partir com o machado, explodir todas as lembranças de como chegar no castelo, quantas vezes não quis "exitar"  e tentar matar o dragão com unhas e dentes? e salvar a princesa mesmo que a beira da morte: "Poderia senti-la em seus braços e o seu amor mais uma vez".

(Mas preferiu seguir viagem sempre policiando a vontade que era contraria a sua decisão, sua cisão foi árdua).

Nem um só dia deixou de pensar na princesa e mesmo afirmando e jurando amor a floresta, pensava na única fruta que gozou ao sentir o sabor, que estava apodrecendo dentro de um castelo, aprisionada por um dragão.

Sentado na beira do rio querendo voltar a ser o amor que era... o favor que era, o odor que era. era amor e ele não sabia.

Paulo.Forv



18 de abr. de 2013

(re)ceia


já não dormia... pois tinha medo de fechar os olhos e voltar a ter maus sonhos
ou recordar a tragédia que matou o seu sorriso,
eram flores, agora só restam espinhos.
Nem sua armadura e sua espada o motivara mais a lutar.


Seguia se arrastando, com frio, com sede, com medo, 
voltou a floresta pra enfrentar mais uma vez os seus pesadelos
demônios do passado, 

tentou levantar a cabeça mas já não enxergava o caminho de volta,
ja não tinha mais músicas, nem filmes, nem imagens,
era um vazio tão grande que a sua própria respiração era ensurdecedora,

não podia correr, nem pular pois lhe arrancaram as pernas, 
não podia nadar  nem se pendurar pois lhe arrancaram os braços, 

só se mantinha vivo pois a cabeça estava no lugar de sempre,
encostada ao travesseiro, e o nariz a congelar
mesmo que sem nada pra se ocupar... era ócio, era dor...

A bola de tinta preta que pingava dos seus olhos engoliu todas as suas palavras reluzentes, todos os gestos de carinho, ficou só, sozinho.

Paulo.Forv