17 de mai. de 2013

era

Um conto de fadas: A princesa, o príncipe, o dragão e o castelo.

A coisa mais linda que se pode sentir e desejar de uma pessoa, foi a regra da... e ela foi. Como se fossem eternos os beijos, as dedicações, os sonhos, tudo era dividido meio a meio, até que o dragão raptou a princesa para o interior do castelo. nessa, o final ainda não é feliz.

O príncipe se deu por vencido, as chagas consumiam todo o seu corpo, a dor do amor comeu as letras do seu sobrenome, transformou-se em outro "eu" noutro sobrenome, fugiu com todo resto de força que tinha para o interior do interior e aprendeu na pisa a gostar de tudo que era contrário ao caminho do castelo, e assim desistiu de salvar a princesa.

Da ética a estética mudou propositalmente, era necessário colocar a dor num tronco e partir com o machado, explodir todas as lembranças de como chegar no castelo, quantas vezes não quis "exitar"  e tentar matar o dragão com unhas e dentes? e salvar a princesa mesmo que a beira da morte: "Poderia senti-la em seus braços e o seu amor mais uma vez".

(Mas preferiu seguir viagem sempre policiando a vontade que era contraria a sua decisão, sua cisão foi árdua).

Nem um só dia deixou de pensar na princesa e mesmo afirmando e jurando amor a floresta, pensava na única fruta que gozou ao sentir o sabor, que estava apodrecendo dentro de um castelo, aprisionada por um dragão.

Sentado na beira do rio querendo voltar a ser o amor que era... o favor que era, o odor que era. era amor e ele não sabia.

Paulo.Forv



18 de abr. de 2013

(re)ceia


já não dormia... pois tinha medo de fechar os olhos e voltar a ter maus sonhos
ou recordar a tragédia que matou o seu sorriso,
eram flores, agora só restam espinhos.
Nem sua armadura e sua espada o motivara mais a lutar.


Seguia se arrastando, com frio, com sede, com medo, 
voltou a floresta pra enfrentar mais uma vez os seus pesadelos
demônios do passado, 

tentou levantar a cabeça mas já não enxergava o caminho de volta,
ja não tinha mais músicas, nem filmes, nem imagens,
era um vazio tão grande que a sua própria respiração era ensurdecedora,

não podia correr, nem pular pois lhe arrancaram as pernas, 
não podia nadar  nem se pendurar pois lhe arrancaram os braços, 

só se mantinha vivo pois a cabeça estava no lugar de sempre,
encostada ao travesseiro, e o nariz a congelar
mesmo que sem nada pra se ocupar... era ócio, era dor...

A bola de tinta preta que pingava dos seus olhos engoliu todas as suas palavras reluzentes, todos os gestos de carinho, ficou só, sozinho.

Paulo.Forv

24 de mar. de 2013

Paz sarô



Depois de anos de redenção, tonando-se homem, companheiro, amigo e sábio:

Deixou coisas a direita, coisas a esquerda e coisas para trás, afim de enxergar melhor o que vem à frente, mesmo sabendo que todas estas, juntas ou separadas valem a pena. Se livrou das mentiras com os olhos, os olhos não mentem. "Sem culpa e sem glória devemos seguir o nosso caminho".

Sentia-se mais vivo.

Sentiu-se mais livre.

Somos mais críticos que cientistas, e nos julgamos em vez de nos corrigirmos, eis o normal e não a verdade.

Paulo.Forv

21 de mar. de 2013

sónusonho

Nas noites sonhara com seu corpo e sua pele junto a si, assim, há se...

Suas próprias mãos namorassem o corpo, as cócegas tornassem-se lembranças do toque, a massagem lembrança das mãos, os arrepios lembranças da pele, o ofegante suspiro lembranças do hálito, os movimentos contínuos lembranças do sexo, os leves gemidos lembranças da voz, as lágrimas lembranças do gosto... 

[corpo estirado e os pés contraídos]

O pequeno sorriso, lembrança do gozo... invadia todos os dias os minutos que antecedem o sono, fazendo-se sonho.

Paulo.Forv

14 de mar. de 2013

Luzia


Caminhou pelo vale de pedras atrás das jaboticabas mais doces, das ameixas mais maduras e das uvas mais cheirosas. Colheu uma rosa de cada cor, cereais pra alimentá-la e seguiu firme ao castelo, mas a ponte estava levadiça e a correnteza forte demais pra atravessar: As frutas apodreceram, as rosas que já haviam lhe cortado os sonhos entre os dedos murcharam, lhe restaram os cereais pra saciar-se, pois de fome só se morre uma vez... 

...morreu mais uma vez de amor mais salvou-se em vida e assim o guerreiro da luz tem esperança, pois nunca desiste quem acredita no amor.

Paulo.Forv