18 de abr. de 2013

(re)ceia


já não dormia... pois tinha medo de fechar os olhos e voltar a ter maus sonhos
ou recordar a tragédia que matou o seu sorriso,
eram flores, agora só restam espinhos.
Nem sua armadura e sua espada o motivara mais a lutar.


Seguia se arrastando, com frio, com sede, com medo, 
voltou a floresta pra enfrentar mais uma vez os seus pesadelos
demônios do passado, 

tentou levantar a cabeça mas já não enxergava o caminho de volta,
ja não tinha mais músicas, nem filmes, nem imagens,
era um vazio tão grande que a sua própria respiração era ensurdecedora,

não podia correr, nem pular pois lhe arrancaram as pernas, 
não podia nadar  nem se pendurar pois lhe arrancaram os braços, 

só se mantinha vivo pois a cabeça estava no lugar de sempre,
encostada ao travesseiro, e o nariz a congelar
mesmo que sem nada pra se ocupar... era ócio, era dor...

A bola de tinta preta que pingava dos seus olhos engoliu todas as suas palavras reluzentes, todos os gestos de carinho, ficou só, sozinho.

Paulo.Forv

24 de mar. de 2013

Paz sarô



Depois de anos de redenção, tonando-se homem, companheiro, amigo e sábio:

Deixou coisas a direita, coisas a esquerda e coisas para trás, afim de enxergar melhor o que vem à frente, mesmo sabendo que todas estas, juntas ou separadas valem a pena. Se livrou das mentiras com os olhos, os olhos não mentem. "Sem culpa e sem glória devemos seguir o nosso caminho".

Sentia-se mais vivo.

Sentiu-se mais livre.

Somos mais críticos que cientistas, e nos julgamos em vez de nos corrigirmos, eis o normal e não a verdade.

Paulo.Forv

21 de mar. de 2013

sónusonho

Nas noites sonhara com seu corpo e sua pele junto a si, assim, há se...

Suas próprias mãos namorassem o corpo, as cócegas tornassem-se lembranças do toque, a massagem lembrança das mãos, os arrepios lembranças da pele, o ofegante suspiro lembranças do hálito, os movimentos contínuos lembranças do sexo, os leves gemidos lembranças da voz, as lágrimas lembranças do gosto... 

[corpo estirado e os pés contraídos]

O pequeno sorriso, lembrança do gozo... invadia todos os dias os minutos que antecedem o sono, fazendo-se sonho.

Paulo.Forv

14 de mar. de 2013

Luzia


Caminhou pelo vale de pedras atrás das jaboticabas mais doces, das ameixas mais maduras e das uvas mais cheirosas. Colheu uma rosa de cada cor, cereais pra alimentá-la e seguiu firme ao castelo, mas a ponte estava levadiça e a correnteza forte demais pra atravessar: As frutas apodreceram, as rosas que já haviam lhe cortado os sonhos entre os dedos murcharam, lhe restaram os cereais pra saciar-se, pois de fome só se morre uma vez... 

...morreu mais uma vez de amor mais salvou-se em vida e assim o guerreiro da luz tem esperança, pois nunca desiste quem acredita no amor.

Paulo.Forv


25 de fev. de 2013

angustiácida

Tomou o ácido da angústia e da euforia, sentiu-se observado por milhões, não conseguindo ver ninguém .. o pacífico de seu oceano agora maremoto de agonia:

os                         quando a cabeça está lotada.
     ombros pesam


Quando falar é melhor que calar e evita o câncer psicológico da introspecção:

Como uma onda, puxa todo mar pra si e despeja de uma vez quando a cabeça encosta nas areias do travesseiro e só existe um som.

Ainda sim, calar-se evita mais problemas.

Paulo.Forv